Até que eu não deixei o blog tão abandonado em junho, apesar da correria =) Agora que é julho não há mais desculpas, além da letargia que acomete os dedos nas férias, de vez em quando, incapacitando os coitados de escreverem alguma coisa (que preste).
Ao que interessa:

Nota: a exposição vai somente até 12 de julho, então corram. Entrada R$15, meia R$7.
The Unending Gift
Um pintor prometeu-nos um quadro.
Agora, em New England, sei que morreu. Senti, como outras vezes, a tristeza de compreender que somos como um sonho. Pensei no homem e no quadro perdidos.
(Só os deuses podem prometer, porque são imortais.)
Pensei em um lugar prefizado que a tela não ocupará.
Pensei depois: se estivesse aí, seria com o tempo uma coisa mais, uma coisa, uma das vaidades ou hábitos da casa; agora é ilimitada, incessante, capaz de qualquer forma e qualquer cor e a ninguém vinculada.
Existe de algum modo. Viverá e crescerá como uma música e estará comigo até o fim. Obrigado, Jorge Larco.
(Também os homens podem prometer, porque na promessa há algo imortal.)
Do livro Elogio da Sombra, de Jorge Luis Borges, que comprei em um sebo semana passada – ou retrasada, talvez. Fiquei um bom tempo tentando identificar as lombadas desfocadas da foto da contracapa:

Pouco se explicou
Ficou uma cicatriz de cola
Na parede em que preguei
a tua poesia.
Ainda se vêem as marcas
nos meus olhos
de cada curva de cada letra
que talhamos às pressas.
Resta a meia-luz,
o pó
e algumas pombas um pouco gordas.
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