.: Misread :.

julho 9, 2009

Poesia em tempo de fome

Filed under: Eventos,Versos — Ing @ 2:04 am

Começou.

Enfim, está aí o banquete de quem tem fome de poesia.  Fui hoje à Casa das Rosas, na Avenida Paulista, tentar degustar um naco da FLAP – cheguei atrasada para a Mesa 1, fiquei para a palestra sobre poesia concreta com Frederico Barbosa, que queria muito assistir.

Foi como uma lâmpada pra quem não teve contato totalmente ao acaso com muito mais de três ou quatro poemas concretistas (ou erroneamente chamados de concretistas, como vim a entender). Em resumo, eu gostei.

Três flashes:

Disparo 1

Por E.E.Cummings (1894 – 1962)

l (a

le
af
fa
ll

s)
one
l

iness

 

Disparo dois

Por Haroldo de Campos (1929 – 2003)

- “Saber viver, saber ser preso, saber ser solto”…

Pausa. Alguns murmúrios ansiosos na platéia.

- Que é “solto”?

- “Libre”.

Sorriso, silêncio. Retomam o poema.

psiu! haroldo de campos

 

Disparo III

Por Haroldo de novo, dono da casa.

poesia em tempo de fome
fome em tempo de poesia

poesia em lugar do homem
pronome em lugar do nome

homem em lugar de poesia
nome em lugar de pronome
poesia de dar o nome

nomear é dar o nome

nomeio o nome
nomeio o homem
nomeio a fome

no meio a fome

 

Obrigada pela FLAP. Continuem soprando poesia nos nossos ouvidos pra nos bagunçar os cabelos. É bom.

(E,quem não foi, tome vergonha na cara que ainda dá tempo de participar. Os eventos vão só até dia 14/07. Consultem a programação no blog da FLAP).

julho 3, 2009

Figuras Sonoras

Filed under: Aleatórios — Ing @ 2:40 am

Interrompemos a programação de prosa e poesia para falar sobre alguma coisa absolutamente inusitada!

Li hoje de manhã sobre uma experiência deveras curiosa, da qual nunca havia ouvido falar. Não é uma novidade, visto que foi feita pela primeira vez por um sujeito que morreu em 1827… De qualquer forma, não sei se é tão conhecida.

No livro Sobre Verdade e Mentira, de Nietzsche, são citadas as figuras sonoras de Chladni. Segue abaixo um vídeo da experiência, na qual alterando a frequência e amplitude das vibrações provocadas por ondas sonoras em uma placa de metal (pode ser também de vidro) se faz com que grãos de areia sobre esta placa se aglutinem de diferentes maneiras criando desenhos variados.

http://www.youtube.com/watch?v=wMIvAsZvBiw

O que isso tem a ver com Nietzsche: ele afirma que, da mesma maneira como as figuras de Chladni editam cópias dos sons em outro meio (a areia, na experiência), as palavras se relacionam com as coisas, através de um estímulo nervoso em imagem, e depois em som.

Este post talvez seja mais inconclusivo que todos os outros porque descabido e deslocado, e peço desculpas por isso… como desenhista, ex-futura-física e pretensa escritora, resolvi compartilhar a pequena descoberta. Voltamos então à programação normal nos próximos posts.

julho 1, 2009

Possibly Maybe

Filed under: Eventos,Versos — Ing @ 10:26 pm

Até que eu não deixei o blog tão abandonado em junho, apesar da correria =) Agora que é julho não há mais desculpas, além da letargia que acomete os dedos nas férias, de vez em quando, incapacitando os coitados de escreverem alguma coisa (que preste).

Ao que interessa:

vik

Nota: a exposição vai somente até 12 de julho, então corram. Entrada R$15, meia R$7.

 

The Unending Gift

Um pintor prometeu-nos um quadro.
Agora, em New England, sei que morreu. Senti, como outras vezes, a tristeza de compreender que somos como um sonho. Pensei no homem e no quadro perdidos.
(Só os deuses podem prometer, porque são imortais.)
Pensei em um lugar prefizado que a tela não ocupará.
Pensei depois: se estivesse aí, seria com o tempo uma coisa mais, uma coisa, uma das vaidades ou hábitos da casa; agora é ilimitada, incessante, capaz de qualquer forma e qualquer cor e a ninguém vinculada.
Existe de algum modo. Viverá e crescerá como uma música e estará comigo até o fim. Obrigado, Jorge Larco.
(Também os homens podem prometer, porque na promessa há algo imortal.)

Do livro Elogio da Sombra, de Jorge Luis Borges, que comprei em um sebo semana passada – ou retrasada, talvez. Fiquei um bom tempo tentando identificar as lombadas desfocadas da foto da contracapa:

Borges

 

Pouco se explicou

Ficou uma cicatriz de cola
Na parede em que preguei
a tua poesia.
Ainda se vêem as marcas
nos meus olhos
de cada curva de cada letra
que talhamos às pressas.
Resta a meia-luz,
o pó
e algumas pombas um pouco gordas.

…………………..

Tema: Rubric. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.